16.º Festival Porta-Jazz
A Terra Vista do Ar
Fevereiro
2026
Sex
6
—
Dom
8
Sinopse
Sob o tema "A Terra vista do ar", o Festival Porta-Jazz propõe-se uma cartografia musical da empatia, da cooperação e da vertigem. Vista do ar, a Terra expande-se em geografias múltiplas, um mosaico de monumentos físicos e humanos transformados em fenómenos superficiais. Também assim, no colectivo Porta-Jazz ganha-se espaço para, desse ângulo privilegiado, se alcançar toda a diversidade de paisagens e de práticas. Mais: vendo do ar, não interessa quão alto o palácio, o pedestal, a penthouse. Teremos pois um cartaz sem cabeças-de-cartaz, em que a beleza emerge sublime da colaboração entre artistas e as centelhas da invenção e da emoção se propagam livres pelos ares, prescindindo totalmente da lógica triste do melhor produto, do mais premiado, do mais genial, do mais famoso. Propomos uma vista aérea de responsabilidade colectiva (desde logo pelo futuro do planeta), de horizontes profundos que paradoxalmente nos aproximam, a vista do ponto azul pálido onde são inconcebíveis fronteiras, reis, competição, exploração. A Terra vista do ar ganha distância e perspectiva. Ainda perto estão os lançamentos discográficos que o Carimbo Porta-Jazz acolheu no ano transacto — vamos já na edição número 119. Miguel Rodrigues com Antídoto, José Vale com Summer School, o duo de Sérgio Tavares e Renato Diz, o Pedro Neves Quarteto e o Ricardo Coelho Quinteto, AP com Lado Umbilical, João Martins com Oxímoro e Hery Paz com Fisuras, este último um trabalho interdisciplinar que resultou de uma co-encomenda da Porta-Jazz e do Festival Guimarães Jazz. O Festival é ainda ocasião para novos discos. Mané Fernandes apresenta sQuigg: playground_etiQuette; o trio formado por Almut Kühne, João Pedro Brandão e Marcos Cavaleiro traz Stones and Seeds; e Vera Morais Eupnea, um grupo internacional de vozes e flautas. Ainda dentro das novidades, o baterista Zé Stark estreia uma encomenda por ocasião do Festival, “Go Tell It On The Mountain”. Sendo o ar invisível, vamos senti-lo. Aliás, vamos ser o próprio ar! Pulmões, alvéolos, o corpo insufla, vibra, ressoa, propaga o som. O espaço cheio de ar transforma-se no espaço cheio de música. Repetindo o sucesso do ano passado, Ursa Maior reúne um grande número de músicos da Porta-Jazz e outros amigos. Desta vez em formato de coro, respirando e reverberando juntos. A Porta-Jazz transpõe a vertigem da distância e associa-se a colectivos congéneres, cujos projetos acolhe: Improdimensija (Lituânia) com Leaking Pipes; Bezau Beatz (Áustria) com SATT; Orbits (Países Baixos) com Hristo Goleminov Diagonal; NICA (Alemanha) com Serpentine; e AMR-Genève (Suíça) com w.d.c.a. — Festival Porta-Jazz
Info sobre horário e bilhetes
RivoliVários Espaços
Informação adicional
- Preço
7€ (por bloco) / 2.50€ (Contacto/Improvisação) / gratuito (jam sessions)
Acessibilidades do espetáculo
Acesso mais condicionado
Texto biografia autores
PROGRAMA
6/02 sex
18:15 – Bloco 1 – Subpalco
José Vale "Summer School" (PT)
Summer School é uma experiência sonora que mergulha nas raízes do jazz experimental. Inspirado por composições icónicas de Thelonious Monk onde encontramos melodias angulares; silêncios carregados de tensão e harmonias desconcertantes, entrelaça-se o espírito livre e atonal de Ornette Coleman. O resultado é uma performance aberta e caótica, onde os temas são pontos de partida para a criação no momento presente. Não se tratam de reinterpretações mas de reencarnações, sendo os nomes Monk e Ornette convocados não como estilos mas como atitudes. O grupo mergulha num diálogo onde a forma e a liberdade colidem. Os músicos não seguem estruturas, mas sim impulsos, ouvindo e respondendo em tempo real às provocações do coletivo. É um ritual.
Littorina Saxophone Quartet “Leaking Pipes”(LT, EE, FI, SE) - parceria Improdimensija
Littorina Saxophone Quartet é um novo coletivo criativo de saxofonistas improvisadores vindos da área que rodeia o Mar Báltico, entre eles: Maria Faust da Estónia; Mikko Innanen da Finlândia; Fredrik Ljungkvist da Suécia e Liudas Mockūnas da Lituânia. Littorina é um nome ancestral utilizado para designar o mar que une estes quatro saxofonistas. Sendo a sua música um espelho desta conexão territorial e consequentemente musical, temos a oportunidade de encontrar na sua sonoridade tanto lembranças da música ancestral como moderna, podendo ser agre e doce; energética e calma; pura e tóxica - exatamente como o Mar Báltico.
21:30 – Bloco 2 – Grande Auditório
Mané Fernandes “sQuigg: playground_etiQuette” CD release (PT, IT, NO)
“sQuigg: playground_etiQuette” é um álbum conceptual em que o universo composicional elástico; colorido e absurdo de Mané Fernandes é desafiado em cada faixa por diferentes improvisadores de várias áreas da música criativa portuguesa e europeia (desde o jazz e música improvisada à música electrónica). O ciclo criativo de “improvisação - composição - gravação - pós-produção - improvisação” mantém-se como “modus operandi” tendo agora também a especificidade de cada um dos improvisadores integrantes. Neste disco a estrear no Festival, Mané Fernandes centra-se na flexibilidade e multi-dimensionalidade do “Playground” como espaço criativo. À semelhança de “ENTER THE sQUIGG” esbatem-se barreiras estilísticas entre jazz; hip-hop instrumental e electrónica, expandindo agora o leque de pontos de vista e de background estético e cultural.
Ursa Maior (Porta-Jazz ensemble)
Ursa Maior foi um projeto concebido especialmente para a 15.ª edição do Festival Porta-Jazz e ao qual damos agora continuidade. Este projeto reúne uma pequena multidão de músicos ligados à Porta-Jazz, num ensemble monumental que reflete a ambição; o movimento fervilhante e o espírito de colectivo que são atributo desta comunidade. Nesta segunda edição o foco será a exploração da voz, em que todos os músicos integrantes serão convidados a fazer uso da sua, como um festim exuberante de comunhão e partilha.
23:30 – TMP Café
ESMAE JAZZ + jam session
7/02 sáb
15:00 – TMP Café
Batucada instantânea (concerto participado)
A Batucada Instantânea terá estreia marcada no 16.º Festival Porta-Jazz. À semelhança do Coro instantâneo que pudemos presenciar na edição anterior, este ensemble vai reunir-se ao início da tarde de sábado no TMP Café para, de uma forma espontânea, sem qualquer preparação prévia, embarcar numa viagem onde predominam a interação, a exploração e a improvisação. Com a direção dos bateristas Eduardo Carneiro Dias e Acácio Salero, todo o público terá a oportunidade de participar e fazer parte deste festival, acentuando o espírito comunitário que lhe é tão característico.
16:00 – Bloco 3 – Palco do Grande Auditório
Almut Kühne/ João Pedro Brandão/ Marcos Cavaleiro "Stones and Seeds" CD release (DE, PT)
“PEDRAS vida fossilizada em _silêncio_ transformando-se em _som_ ressoando no espaço riscado por SEMENTES sedentas desejando o _som da vida_ numa PEDRA ressoando em _silêncio_ chamando a escutar o interior clamando por _som_ ressoando nas _paredes_ formulando o _espaço_ esculpido por PEDRAS E SEMENTES.”
Os três músicos exploram a reverberação e a ressonância como forças sonoras e existenciais, atentando na forma como o som reflete o espaço, como a emoção molda a vibração e como a presença deixa vestígios. As Pedras carregam a memória do passado enquanto as Sementes representam o futuro. Este projeto é um convite para nos sintonizarmos, para percebermos a ressonância não apenas como vibração, mas como relação: entre o corpo e o ambiente, o passado e o futuro, o eu e o outro.
SATT + Olga Reznichenko (DE, CH, AT, RU) - parceria Bezau Beatz
SATT não é um trio comum – é uma poderosa experiência sonora eletroacústica que ultrapassa os limites da improvisação. Composto por Beatdenker na guitarra e mil samples; Christian Weber no baixo, que se mostra imprevisível, e na bateria Alfred Vogel com uma energia impulsionadora, o conjunto cria paisagens sonoras extáticas: psicadélicas, intensas, catárticas. A música do SATT vive na intersecção entre a improvisação avant-garde, a exploração do som eletrónico e a energia rítmica crua. Cada atuação é um ato do momento presente: espontâneo, surpreendente, intransigente. Neste concerto terão como convidada especial Olga Reznichenko no piano e teclados.
18:15 – Bloco 4 – Pequeno Auditório
Pedro Neves "Northern Train" (PT, ES)
“Northern Train” é o novo registo discográfico de Pedro Neves, onde se junta ao seu habitual trio, composto por José Marrucho na bateria e Miguel Ângelo no contrabaixo, o trompetista galego Javier Pereiro. Como Mário Azevedo descreve, “Northern Train” sugere-nos um espaço-tempo de evasão, bem para lá do meramente geográfico ou musical. Trata-se de uma viagem imaginária – uma espécie de viagem pelo interior de cada um de nós - que se inscreve no território do devaneio e da experiência sensorial, convocando no ouvinte imagens interiores, memórias difusas e muitos, mas mesmo muitos, afetos indeterminados. Ao contrário do habitual, Pedro Neves cria justamente condições para que cada um de nós faça o seu trabalho de casa e as projete, tornando-nos a todos cúmplices da invenção, da criação, da interpretação e da receção numa partilha de um sonoro-sensível audaz.
Ensemble Mutante - Zé Stark “Go Tell It On The Mountain” (PT/ES/CU)
“Inspirado na obra de estreia de James Baldwin, Go Tell It On The Mount é um projeto que estabelece um diálogo entre a criação musical e o mesmo romance. Apesar de contextos completamente incomparáveis entre mim e John Grimes, não deixo de encontrar pontos que me relacionem com o protagonista. Numa demanda pela auto-descoberta. Num pôr em causa as questões sociais em que está inserido. Num confronto com a sua espiritualidade. Numa procura pela redenção e integração. Um concerto que reflete as influências que tenho devorado ao longo do último ano e meio, não só musicais mas também culturais e literárias.”
21:30 – Bloco 5 – Grande Auditório
KOHELET | Ricardo Coelho 5tet [PT]
KOHELET é o primeiro disco do vibrafonista Ricardo Coelho, lançado em 2025, com o carimbo da Porta-Jazz. “Lança o teu trigo sobre o mar, que passado algum tempo o recolherás. Partilha o que é teu com todos os que puderes; nunca sabes as desgraças que podem cair sobre o país. Se as nuvens estiverem carregadas, deixam cair chuva sobre a terra. Uma árvore qualquer tanto pode cair para Sul como para Norte. E onde cair lá ficará. O que anda a observar o vento nunca faz a sementeira e o que só olha para as nuvens nunca faz a colheita. Assim como não sabes como entra o sopro da vida no feto que está no ventre da mãe, assim também não compreendes aquilo que Deus faz, ele que tudo pode fazer. De manhã lança a semente à terra e de tardenão cruzes os braços, pois não sabes qual das sementeiras é que vai dar melhor resultado, ou se ambas são igualmente boas. É bom e agradável que os olhos consigam ver a luz e contemplar o Sol. Mas ainda que o homem viva muitos anos e seja muito feliz, deve recordar-se que os dias de escuridão também serão muitos e que tudo o que está para vir é ilusão.” (Eclesiastes 11:1-8 BPT)
Não sei se foi da água, mas eis que em mim brotou algo. Iludido? Talvez…
Vera Morais EUPNEA, CD release (PT, NL, LV)
EUPNEA é um ensemble de vozes e flautas liderado pela cantora e compositora Vera Morais; um projeto híbrido que junta cantoras e flautistas oriundas de backgrounds diversos – do avant-jazz europeu à música contemporânea, passando pela música improvisada. Numa espécie de música de câmara despretensiosa, humana e imersiva, celebram-se as semelhanças entre os dois instrumentos: o timbre, a tessitura, os processos de produção do som e o simbolismo associado à voz e à flauta nos cânones da música ocidental (a mulher, o pássaro). Mais do que um conjunto de músicos atomizados, EUPNEA é um instrumento em si mesmo: um órgão de tubos humano, respirando interdependência sónica.
23:30 – TMP Café
Rui Miguel Abreu + jam session
8/02 dom
11:30 – Foyer do Pequeno Auditório
Contacto/Improvisação (Concerto Famílas)
Planamos e aí encontramos a Terra, mas vista do ar. Uma nova perspetiva, uma viagem que se alimenta de questões, talvez diferentes por não conseguirmos ver com tanto pormenor. Guiados pela imaginação e alimentados pelo desconhecido, oscilamos entre a distância e a proximidade, o concreto e o abstrato, misturamo-nos com o próprio ar, propagamos o som e transformamo-nos em música. Podemos ver pelos nossos olhos, pelas vozes dos outros e pelas paisagens em miniatura, criando novos universos.
15:00 – TMP Café
Conservatório de Música do Porto + ART’J
16:00 – Bloco 6 – Pequeno Auditório
Sérgio Tavares e Renato Diz "Between Time and Now"
Between Time and Now é uma vertigem por dezoito anos de cumplicidade entre Renato e Sérgio. Cada momento evolui na confluência de mentes ingénuas e absortas, cristalizando a memória, eventualmente inabalável na aceitação dos rumores proferidos pelos astros na sua vontade irresistível de criar através de surpresas, descobertas e inquietações partilhadas. Esta obra existe num significado dualístico entre equilíbrios e contradições, ora na permanência, ora na inflexão ágil, perpetuamente em divagação gestual entre a sombra controlada e o silêncio intocável.
João Martins "Oxímoro" (PT)
Oxímoro é um álbum que mergulha nas contradições e nos paradoxos, refletindo a tensão entre opostos. O disco explora a constante busca por equilíbrio entre caos e harmonia. As faixas desenrolam-se com liberdade criativa, onde os músicos se entregam a improvisações espontâneas, criando paisagens sonoras imprevisíveis que reforçam a ideia de que o inesperado e o planeado podem coexistir. O título Oxímoro evoca justamente essa fusão de contraditórios, como momentos de calma que explodem em intensidade ou a dissonância que se resolve em beleza, um álbum que celebra a beleza na imperfeição, onde o silêncio e o som se entrelaçam.
18:15 – Bloco 7 – Palco do Grande Auditório
AP "Lado Umbilical" (PT)
Lado Umbilical é o último trabalho discográfico do guitarrista e compositor AP onde o próprio se desafia por caminhos mais ousados e explora novas ferramentas composicionais e improvisacionais. Com a tónica no ritmo; na simples exploração de sons, texturas e timbres através de improvisação livre mas também dando relevo à componente escrita, o objectivo é sempre contar uma história através da música. Como Rui Teixeira descreve, Lado Umbilical emerge das fronteiras, cresce, manifesta-se e assim se afirma, numa oposição ora subtil ora cerrada aos limites da música, aos limites da humanidade. Transcende e expande barreiras num cativante e precioso equilíbrio entre um ponderado racionalismo lírico e uma impetuosa autodeterminação musical, romântica. Este disco conta com a maturidade musical de João Pedro Brandão, Gil Silva, Miguel Meirinhos e Gonçalo Ribeiro que dão voz a uma narrativa que se pretende diferente, fresca e surpreendente cada vez que é contada.
Hristo Goleminov “Diagonal Shift" (PT, LV, US, IT) - parceria Orbits
Diagonal Shift é um quarteto liderado pelo saxofonista e compositor Hristo Goleminov, que inclui alguns dos improvisadores mais proeminentes de várias gerações da cena musical de Amesterdão: Ketija Ringa-Karahona na flauta e flauta alto; Michael Moore no clarinete e Federico Calcagno no clarinete baixo. Composto apenas por instrumentos da família das madeiras, o quarteto parte da linguagem composicional enigmática de Goleminov, construindo espaços onde as ideias de cada um se interligam e florescem.
21:30 – Bloco 8 – Grande Auditório
Hery Paz "Fisuras" (CU, PT, AR) - parceria Guimarães Jazz
Fisuras emerge da suave tensão entre a presença e ausência, onde a poesia transcende a linguagem e o som habita no espaço entre as palavras. Este trabalho é desenvolvido a partir da invisível arquitetura dos textos; a fragilidade dos andaimes; a respiração e as fraturas que mantêm o significado no sítio. Fisuras não é um projeto de ideias fixas mas de rituais que se vão desdobrando. Em cada interação surge uma nova transformação: uma constelação de memórias e gestos, suspensa no espaço que separa a intenção e a possibilidade.
Felix Hauptmann “Serpentine” (DE, FR) - parceria NICA
Serpentine combina abstração e estética, explorando dois espectros contrastantes da música de câmara, tanto denso e reduzido. As composições do pianista e compositor Felix Hauptmann explora as diferentes possibilidades da instrumentação assim como a versatilidade técnica dos restantes músicos, fazendo uso de uma rica ambivalência entre a complexidade rítmica e pulso constante. Os músicos criam espaços sonoros independentes, carregados de melodias líricas. O projeto estreou-se em 2024 em Munique.
23:30 – TMP Café
Pedro Tenreiro + jam session
6/02 sex
18:15 – Bloco 1 – Subpalco
José Vale "Summer School" (PT)
Summer School é uma experiência sonora que mergulha nas raízes do jazz experimental. Inspirado por composições icónicas de Thelonious Monk onde encontramos melodias angulares; silêncios carregados de tensão e harmonias desconcertantes, entrelaça-se o espírito livre e atonal de Ornette Coleman. O resultado é uma performance aberta e caótica, onde os temas são pontos de partida para a criação no momento presente. Não se tratam de reinterpretações mas de reencarnações, sendo os nomes Monk e Ornette convocados não como estilos mas como atitudes. O grupo mergulha num diálogo onde a forma e a liberdade colidem. Os músicos não seguem estruturas, mas sim impulsos, ouvindo e respondendo em tempo real às provocações do coletivo. É um ritual.
Littorina Saxophone Quartet “Leaking Pipes”(LT, EE, FI, SE) - parceria Improdimensija
Littorina Saxophone Quartet é um novo coletivo criativo de saxofonistas improvisadores vindos da área que rodeia o Mar Báltico, entre eles: Maria Faust da Estónia; Mikko Innanen da Finlândia; Fredrik Ljungkvist da Suécia e Liudas Mockūnas da Lituânia. Littorina é um nome ancestral utilizado para designar o mar que une estes quatro saxofonistas. Sendo a sua música um espelho desta conexão territorial e consequentemente musical, temos a oportunidade de encontrar na sua sonoridade tanto lembranças da música ancestral como moderna, podendo ser agre e doce; energética e calma; pura e tóxica - exatamente como o Mar Báltico.
21:30 – Bloco 2 – Grande Auditório
Mané Fernandes “sQuigg: playground_etiQuette” CD release (PT, IT, NO)
“sQuigg: playground_etiQuette” é um álbum conceptual em que o universo composicional elástico; colorido e absurdo de Mané Fernandes é desafiado em cada faixa por diferentes improvisadores de várias áreas da música criativa portuguesa e europeia (desde o jazz e música improvisada à música electrónica). O ciclo criativo de “improvisação - composição - gravação - pós-produção - improvisação” mantém-se como “modus operandi” tendo agora também a especificidade de cada um dos improvisadores integrantes. Neste disco a estrear no Festival, Mané Fernandes centra-se na flexibilidade e multi-dimensionalidade do “Playground” como espaço criativo. À semelhança de “ENTER THE sQUIGG” esbatem-se barreiras estilísticas entre jazz; hip-hop instrumental e electrónica, expandindo agora o leque de pontos de vista e de background estético e cultural.
Ursa Maior (Porta-Jazz ensemble)
Ursa Maior foi um projeto concebido especialmente para a 15.ª edição do Festival Porta-Jazz e ao qual damos agora continuidade. Este projeto reúne uma pequena multidão de músicos ligados à Porta-Jazz, num ensemble monumental que reflete a ambição; o movimento fervilhante e o espírito de colectivo que são atributo desta comunidade. Nesta segunda edição o foco será a exploração da voz, em que todos os músicos integrantes serão convidados a fazer uso da sua, como um festim exuberante de comunhão e partilha.
23:30 – TMP Café
ESMAE JAZZ + jam session
7/02 sáb
15:00 – TMP Café
Batucada instantânea (concerto participado)
A Batucada Instantânea terá estreia marcada no 16.º Festival Porta-Jazz. À semelhança do Coro instantâneo que pudemos presenciar na edição anterior, este ensemble vai reunir-se ao início da tarde de sábado no TMP Café para, de uma forma espontânea, sem qualquer preparação prévia, embarcar numa viagem onde predominam a interação, a exploração e a improvisação. Com a direção dos bateristas Eduardo Carneiro Dias e Acácio Salero, todo o público terá a oportunidade de participar e fazer parte deste festival, acentuando o espírito comunitário que lhe é tão característico.
16:00 – Bloco 3 – Palco do Grande Auditório
Almut Kühne/ João Pedro Brandão/ Marcos Cavaleiro "Stones and Seeds" CD release (DE, PT)
“PEDRAS vida fossilizada em _silêncio_ transformando-se em _som_ ressoando no espaço riscado por SEMENTES sedentas desejando o _som da vida_ numa PEDRA ressoando em _silêncio_ chamando a escutar o interior clamando por _som_ ressoando nas _paredes_ formulando o _espaço_ esculpido por PEDRAS E SEMENTES.”
Os três músicos exploram a reverberação e a ressonância como forças sonoras e existenciais, atentando na forma como o som reflete o espaço, como a emoção molda a vibração e como a presença deixa vestígios. As Pedras carregam a memória do passado enquanto as Sementes representam o futuro. Este projeto é um convite para nos sintonizarmos, para percebermos a ressonância não apenas como vibração, mas como relação: entre o corpo e o ambiente, o passado e o futuro, o eu e o outro.
SATT + Olga Reznichenko (DE, CH, AT, RU) - parceria Bezau Beatz
SATT não é um trio comum – é uma poderosa experiência sonora eletroacústica que ultrapassa os limites da improvisação. Composto por Beatdenker na guitarra e mil samples; Christian Weber no baixo, que se mostra imprevisível, e na bateria Alfred Vogel com uma energia impulsionadora, o conjunto cria paisagens sonoras extáticas: psicadélicas, intensas, catárticas. A música do SATT vive na intersecção entre a improvisação avant-garde, a exploração do som eletrónico e a energia rítmica crua. Cada atuação é um ato do momento presente: espontâneo, surpreendente, intransigente. Neste concerto terão como convidada especial Olga Reznichenko no piano e teclados.
18:15 – Bloco 4 – Pequeno Auditório
Pedro Neves "Northern Train" (PT, ES)
“Northern Train” é o novo registo discográfico de Pedro Neves, onde se junta ao seu habitual trio, composto por José Marrucho na bateria e Miguel Ângelo no contrabaixo, o trompetista galego Javier Pereiro. Como Mário Azevedo descreve, “Northern Train” sugere-nos um espaço-tempo de evasão, bem para lá do meramente geográfico ou musical. Trata-se de uma viagem imaginária – uma espécie de viagem pelo interior de cada um de nós - que se inscreve no território do devaneio e da experiência sensorial, convocando no ouvinte imagens interiores, memórias difusas e muitos, mas mesmo muitos, afetos indeterminados. Ao contrário do habitual, Pedro Neves cria justamente condições para que cada um de nós faça o seu trabalho de casa e as projete, tornando-nos a todos cúmplices da invenção, da criação, da interpretação e da receção numa partilha de um sonoro-sensível audaz.
Ensemble Mutante - Zé Stark “Go Tell It On The Mountain” (PT/ES/CU)
“Inspirado na obra de estreia de James Baldwin, Go Tell It On The Mount é um projeto que estabelece um diálogo entre a criação musical e o mesmo romance. Apesar de contextos completamente incomparáveis entre mim e John Grimes, não deixo de encontrar pontos que me relacionem com o protagonista. Numa demanda pela auto-descoberta. Num pôr em causa as questões sociais em que está inserido. Num confronto com a sua espiritualidade. Numa procura pela redenção e integração. Um concerto que reflete as influências que tenho devorado ao longo do último ano e meio, não só musicais mas também culturais e literárias.”
21:30 – Bloco 5 – Grande Auditório
KOHELET | Ricardo Coelho 5tet [PT]
KOHELET é o primeiro disco do vibrafonista Ricardo Coelho, lançado em 2025, com o carimbo da Porta-Jazz. “Lança o teu trigo sobre o mar, que passado algum tempo o recolherás. Partilha o que é teu com todos os que puderes; nunca sabes as desgraças que podem cair sobre o país. Se as nuvens estiverem carregadas, deixam cair chuva sobre a terra. Uma árvore qualquer tanto pode cair para Sul como para Norte. E onde cair lá ficará. O que anda a observar o vento nunca faz a sementeira e o que só olha para as nuvens nunca faz a colheita. Assim como não sabes como entra o sopro da vida no feto que está no ventre da mãe, assim também não compreendes aquilo que Deus faz, ele que tudo pode fazer. De manhã lança a semente à terra e de tardenão cruzes os braços, pois não sabes qual das sementeiras é que vai dar melhor resultado, ou se ambas são igualmente boas. É bom e agradável que os olhos consigam ver a luz e contemplar o Sol. Mas ainda que o homem viva muitos anos e seja muito feliz, deve recordar-se que os dias de escuridão também serão muitos e que tudo o que está para vir é ilusão.” (Eclesiastes 11:1-8 BPT)
Não sei se foi da água, mas eis que em mim brotou algo. Iludido? Talvez…
Vera Morais EUPNEA, CD release (PT, NL, LV)
EUPNEA é um ensemble de vozes e flautas liderado pela cantora e compositora Vera Morais; um projeto híbrido que junta cantoras e flautistas oriundas de backgrounds diversos – do avant-jazz europeu à música contemporânea, passando pela música improvisada. Numa espécie de música de câmara despretensiosa, humana e imersiva, celebram-se as semelhanças entre os dois instrumentos: o timbre, a tessitura, os processos de produção do som e o simbolismo associado à voz e à flauta nos cânones da música ocidental (a mulher, o pássaro). Mais do que um conjunto de músicos atomizados, EUPNEA é um instrumento em si mesmo: um órgão de tubos humano, respirando interdependência sónica.
23:30 – TMP Café
Rui Miguel Abreu + jam session
8/02 dom
11:30 – Foyer do Pequeno Auditório
Contacto/Improvisação (Concerto Famílas)
Planamos e aí encontramos a Terra, mas vista do ar. Uma nova perspetiva, uma viagem que se alimenta de questões, talvez diferentes por não conseguirmos ver com tanto pormenor. Guiados pela imaginação e alimentados pelo desconhecido, oscilamos entre a distância e a proximidade, o concreto e o abstrato, misturamo-nos com o próprio ar, propagamos o som e transformamo-nos em música. Podemos ver pelos nossos olhos, pelas vozes dos outros e pelas paisagens em miniatura, criando novos universos.
15:00 – TMP Café
Conservatório de Música do Porto + ART’J
16:00 – Bloco 6 – Pequeno Auditório
Sérgio Tavares e Renato Diz "Between Time and Now"
Between Time and Now é uma vertigem por dezoito anos de cumplicidade entre Renato e Sérgio. Cada momento evolui na confluência de mentes ingénuas e absortas, cristalizando a memória, eventualmente inabalável na aceitação dos rumores proferidos pelos astros na sua vontade irresistível de criar através de surpresas, descobertas e inquietações partilhadas. Esta obra existe num significado dualístico entre equilíbrios e contradições, ora na permanência, ora na inflexão ágil, perpetuamente em divagação gestual entre a sombra controlada e o silêncio intocável.
João Martins "Oxímoro" (PT)
Oxímoro é um álbum que mergulha nas contradições e nos paradoxos, refletindo a tensão entre opostos. O disco explora a constante busca por equilíbrio entre caos e harmonia. As faixas desenrolam-se com liberdade criativa, onde os músicos se entregam a improvisações espontâneas, criando paisagens sonoras imprevisíveis que reforçam a ideia de que o inesperado e o planeado podem coexistir. O título Oxímoro evoca justamente essa fusão de contraditórios, como momentos de calma que explodem em intensidade ou a dissonância que se resolve em beleza, um álbum que celebra a beleza na imperfeição, onde o silêncio e o som se entrelaçam.
18:15 – Bloco 7 – Palco do Grande Auditório
AP "Lado Umbilical" (PT)
Lado Umbilical é o último trabalho discográfico do guitarrista e compositor AP onde o próprio se desafia por caminhos mais ousados e explora novas ferramentas composicionais e improvisacionais. Com a tónica no ritmo; na simples exploração de sons, texturas e timbres através de improvisação livre mas também dando relevo à componente escrita, o objectivo é sempre contar uma história através da música. Como Rui Teixeira descreve, Lado Umbilical emerge das fronteiras, cresce, manifesta-se e assim se afirma, numa oposição ora subtil ora cerrada aos limites da música, aos limites da humanidade. Transcende e expande barreiras num cativante e precioso equilíbrio entre um ponderado racionalismo lírico e uma impetuosa autodeterminação musical, romântica. Este disco conta com a maturidade musical de João Pedro Brandão, Gil Silva, Miguel Meirinhos e Gonçalo Ribeiro que dão voz a uma narrativa que se pretende diferente, fresca e surpreendente cada vez que é contada.
Hristo Goleminov “Diagonal Shift" (PT, LV, US, IT) - parceria Orbits
Diagonal Shift é um quarteto liderado pelo saxofonista e compositor Hristo Goleminov, que inclui alguns dos improvisadores mais proeminentes de várias gerações da cena musical de Amesterdão: Ketija Ringa-Karahona na flauta e flauta alto; Michael Moore no clarinete e Federico Calcagno no clarinete baixo. Composto apenas por instrumentos da família das madeiras, o quarteto parte da linguagem composicional enigmática de Goleminov, construindo espaços onde as ideias de cada um se interligam e florescem.
21:30 – Bloco 8 – Grande Auditório
Hery Paz "Fisuras" (CU, PT, AR) - parceria Guimarães Jazz
Fisuras emerge da suave tensão entre a presença e ausência, onde a poesia transcende a linguagem e o som habita no espaço entre as palavras. Este trabalho é desenvolvido a partir da invisível arquitetura dos textos; a fragilidade dos andaimes; a respiração e as fraturas que mantêm o significado no sítio. Fisuras não é um projeto de ideias fixas mas de rituais que se vão desdobrando. Em cada interação surge uma nova transformação: uma constelação de memórias e gestos, suspensa no espaço que separa a intenção e a possibilidade.
Felix Hauptmann “Serpentine” (DE, FR) - parceria NICA
Serpentine combina abstração e estética, explorando dois espectros contrastantes da música de câmara, tanto denso e reduzido. As composições do pianista e compositor Felix Hauptmann explora as diferentes possibilidades da instrumentação assim como a versatilidade técnica dos restantes músicos, fazendo uso de uma rica ambivalência entre a complexidade rítmica e pulso constante. Os músicos criam espaços sonoros independentes, carregados de melodias líricas. O projeto estreou-se em 2024 em Munique.
23:30 – TMP Café
Pedro Tenreiro + jam session
Ficha técnica
- José Vale "Summer School"
Guitarra, fx José Vale
Saxofone Tenor Gil Silva
Bateria Gonçalo Ribeiro
Littorina Saxophone Quartet “Leaking Pipes”
Saxofones Maria Faust, Mikko Innanen, Fredrik Ljungkvist, Liudas Mockūnas
Mané Fernandes “sQuigg: playground_etiQuette” CD release
sQuigg Mané Fernandes (guitarra e efeitos, composição), Luca Curcio (contrabaixo, sampler), Simon Albertsen (bateria, sampler)
Convidados José Soares (saxofone alto), José Diogo Martins (piano, sintetizador), Ricardo Coelho (percussão), Mariana Dionísio (voz), Almut Kühne (voz)
SATT + Olga Reznichenko
Guitarra e 1000 samples Jo “Beatdenker” Wespel
Baixo e efeitos Christian Weber
Bateria e percussão Alfred Vogel
Convidada especial Olga Reznichenko (piano / teclados)
Pedro Neves "Northern Train"
Piano e composição Pedro Neves
Trompete Javier Pereiro
Contrabaixo Miguel Ângelo
Bateria José Marrucho
Ensemble Mutante - Zé Stark “Go Tell It On The Mountain”
Bateria Zé Stark
Percussão Fábio Mota
Contrabaixo, voz Yudit Almeida
Piano, teclados Ricardo Moreira
Flauta Fernando Brox
Sax alto Lucas Oliveira
KOHELET | Ricardo Coelho 5tet
Composição e vibrafone Ricardo Coelho
Saxofone alto José Soares
Piano José Diogo Martins
Contrabaixo Romeu Tristão
Bateria João Sousa
- Vera Morais EUPNEA, CD release
Voz, composição, texto Vera Morais
Voz Līva Dumpe
Voz Sarah van Eijk
Flauta, piccolo Teresa Costa
Flauta, flauta alto, piccolo Ketija Ringa-Karahona
Sérgio Tavares e Renato Diz "Between Time and Now"
Piano e técnicas estendidas Renato Diz
Contrabaixo e técnicas estendidas Sérgio Tavares
João Martins "Oxímoro"
Saxofone tenor Fábio Almeida
Saxofone soprano Gabriel Neves
Guitarra Nuno Trocado
Voz e sintetizador Laura Rui
Piano e sintetizador João Salcedo
Bateria João Martins
AP "Lado Umbilical"
Composição, guitarra AP
Flauta João Pedro Brandão
Piano Miguel Meirinhos
Saxofone tenor, saxofone soprano e flauta Gil Silva
Bateria Gonçalo Ribeiro
Hristo Goleminov “Diagonal Shift"
Saxofone tenor Hristo Goleminov
Flauta/flauta alto Ketija Ringa-Karahona
Clarinete Michael Moore
Clarinete baixo Federico Calcagno
Hery Paz "Fisuras"
Sopros de madeira, claves, voz Hery Paz
Percussão Pedro Melo Alves
Teclado, eletrónica João Carlos Pinto
Baixo, flauta, bombo legüero Demian Cabaud
Toda a feitiçaria visual ao vivo Maria Mónica
Felix Hauptmann “Serpentine”
Flauta Jorik Bergmann
Saxofone Fabian Dudek
Vibrafone Samuel Mastorakis
Piano, composição Felix Hauptmann
Baixo eléctrico Ursula Wienken
Bateria Leif Berger





















