FITEI 2026 no TMP
Festival Internacional de Teatro de Expressão Ibérica
Maio
2026
Qua
13
—
Dom
24
Maio
2026
As primeiras décadas do século XXI têm sido atravessadas por um acumular de crises que deixaram de poder ser pensadas de forma isolada. A crise climática, as migrações forçadas, a persistência e reconfiguração dos conflitos armados, a erosão do sentido do comum, o esgotamento dos recursos do planeta e uma crescente crise de saúde mental compõem um mesmo campo de tensões, onde o humano e o não-humano se encontram simultaneamente em risco e em transformação.
É neste território instável que o FITEI – Festival Internacional de Teatro de Expressão Ibérica tem vindo a inscrever o seu pensamento e a sua prática nas últimas edições. Mais do que refletir o mundo, o festival procura criar condições para o interrogar, convocando artistas e públicos para um exercício coletivo de atenção, escuta e imaginação crítica.
Os sinais de alerta são múltiplos e insistentes. Mas é precisamente nesse ponto de saturação que emerge também a possibilidade de deslocamento. Entre o reconhecimento do colapso e a insistência na esperança, desenha-se um espaço de fricção onde a criação artística pode operar: não como resposta, mas como pergunta; não como resolução, mas como abertura.
O binómio Colapso e Esperança, que orienta esta 49ª edição, não se apresenta como oposição estável, mas como campo de forças em permanente negociação. Se, por um lado, se torna impossível ignorar os processos de degradação e rutura que marcam o presente, por outro, é na persistência de práticas, gestos e imaginários que se reinscreve a possibilidade de futuro.
A programação deste ano inscreve-se nesse movimento. As coproduções e criações apresentadas atravessam questões urgentes — da imigração ao trabalho, da habitação às memórias de luta, das formas de organização coletiva às violências históricas e contemporâneas — sem nunca se fixarem numa única leitura. Pelo contrário, propõem dispositivos que desestabilizam, deslocam e reconfiguram o olhar, convocando o espectador para uma posição ativa.
Em paralelo, as residências artísticas e técnicas afirmam o festival enquanto espaço de tempo expandido, onde o processo ganha centralidade e onde a criação se faz também no encontro, na partilha e na experimentação. É nesse intervalo — entre o que já se sabe e o que ainda se procura — que se constroem novas possibilidades de pensar e fazer.
A dimensão territorial do festival, que se estende por diferentes cidades, reforça a sua vocação de proximidade e relação. Mas essa geografia é também atravessada por uma outra, mais difusa e porosa: a das redes artísticas internacionais, das colaborações transnacionais e das presenças digitais, que ampliam o alcance e a ressonância do FITEI.
Neste contexto, o compromisso com a acessibilidade — física, intelectual e sensível — e com a mediação assume um lugar central. Não como complemento, mas como parte integrante da própria experiência artística. Criar condições para que mais pessoas possam aceder, participar e inscrever-se neste espaço é também uma forma de resistir à fragmentação e de reconstruir o comum.
Num tempo em que tantas narrativas apontam para o esgotamento, o FITEI insiste na criação como prática de resistência e de reinvenção. Entre o colapso e a esperança, abre-se um espaço — frágil, instável, mas profundamente necessário — onde ainda é possível imaginar, em conjunto, outras formas de estar e de fazer mundo. — Gonçalo Amorim (Direção artística do FITEI)
É neste território instável que o FITEI – Festival Internacional de Teatro de Expressão Ibérica tem vindo a inscrever o seu pensamento e a sua prática nas últimas edições. Mais do que refletir o mundo, o festival procura criar condições para o interrogar, convocando artistas e públicos para um exercício coletivo de atenção, escuta e imaginação crítica.
Os sinais de alerta são múltiplos e insistentes. Mas é precisamente nesse ponto de saturação que emerge também a possibilidade de deslocamento. Entre o reconhecimento do colapso e a insistência na esperança, desenha-se um espaço de fricção onde a criação artística pode operar: não como resposta, mas como pergunta; não como resolução, mas como abertura.
O binómio Colapso e Esperança, que orienta esta 49ª edição, não se apresenta como oposição estável, mas como campo de forças em permanente negociação. Se, por um lado, se torna impossível ignorar os processos de degradação e rutura que marcam o presente, por outro, é na persistência de práticas, gestos e imaginários que se reinscreve a possibilidade de futuro.
A programação deste ano inscreve-se nesse movimento. As coproduções e criações apresentadas atravessam questões urgentes — da imigração ao trabalho, da habitação às memórias de luta, das formas de organização coletiva às violências históricas e contemporâneas — sem nunca se fixarem numa única leitura. Pelo contrário, propõem dispositivos que desestabilizam, deslocam e reconfiguram o olhar, convocando o espectador para uma posição ativa.
Em paralelo, as residências artísticas e técnicas afirmam o festival enquanto espaço de tempo expandido, onde o processo ganha centralidade e onde a criação se faz também no encontro, na partilha e na experimentação. É nesse intervalo — entre o que já se sabe e o que ainda se procura — que se constroem novas possibilidades de pensar e fazer.
A dimensão territorial do festival, que se estende por diferentes cidades, reforça a sua vocação de proximidade e relação. Mas essa geografia é também atravessada por uma outra, mais difusa e porosa: a das redes artísticas internacionais, das colaborações transnacionais e das presenças digitais, que ampliam o alcance e a ressonância do FITEI.
Neste contexto, o compromisso com a acessibilidade — física, intelectual e sensível — e com a mediação assume um lugar central. Não como complemento, mas como parte integrante da própria experiência artística. Criar condições para que mais pessoas possam aceder, participar e inscrever-se neste espaço é também uma forma de resistir à fragmentação e de reconstruir o comum.
Num tempo em que tantas narrativas apontam para o esgotamento, o FITEI insiste na criação como prática de resistência e de reinvenção. Entre o colapso e a esperança, abre-se um espaço — frágil, instável, mas profundamente necessário — onde ainda é possível imaginar, em conjunto, outras formas de estar e de fazer mundo. — Gonçalo Amorim (Direção artística do FITEI)










