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Sex 23 Novembro 2018

Mostra Estufa
A “Mostra Estufa” surge de uma parceria e coprodução entre a Erva Daninha e o Teatro Municipal do Porto para dar espaço a novas linguagens, estéticas e dramaturgias do circo contemporâneo. Como definem este momento de apresentação, deste laboratório para novos criadores na área do circo?

Temos quase treze anos de história e uma das coisas que fomos percebendo ao longo do nosso percurso é que há muito pouco incentivo à criação e, por consequência, surgem poucos projetos. E isso faz com que, ao andar na estrada, circulemos muito com as nossas criações [da Erva Daninha]. E encontramos poucos colegas da área, do circo contemporâneo, no mesmo circuito. Achamos que podíamos intervir um bocadinho nisso. E o facto de termos alguns anos de história dá-nos alguma segurança. Esta primeira edição [da Mostra Estufa] funcionou dessa forma, convidando outros artistas que nós conhecemos, que sabemos quais são as suas vontades, o que andam a fazer. E convidamo-los a desenvolver um projeto ou a fazer crescer alguma coisa que já existia. Ou seja, a nossa vontade vem daí, vem de tentar que haja mais criações de circo contemporâneo. Porque o que realmente existe não é suficiente para se criar um circuito, torna-se muito difícil fazer um festival só com criações portuguesas. Infelizmente não há matéria suficiente nesta área específica do circo contemporâneo.

Nesta edição de 2018 vão ser apresentados novos projetos próximos da sua versão final ou mesmo em estreia absoluta. Quais são eles e porque escolheram estes criadores e estas propostas para a primeira edição da Mostra Estufa?

Nesta primeira edição temos uma estreia absoluta, que é a “Fase dispersa”, da Teresa Santos, um projeto que nasceu este ano, apesar da vontade ter surgido no ano passado. A formação académica da Teresa Santos é de dança contemporânea e é uma mulher a criar um espetáculo de novo circo, uma característica de alguma relevância neste universo. Depois a “Crisálida”, de Daniel Seabra, é um projeto que fomos conhecendo com o tempo. O Daniel já trabalhou para a Erva Daninha numa coprodução com o Teatro Municipal do Porto, que estreamos no Teatro Campo Alegre. E ele já tinha esta vontade de falar destas camadas interiores. O “Décorps d´Intérieur”, da Ana Jordão e da Jeanine Ebnother Trott, é um projeto internacional de uma portuguesa e de uma belga, que foram selecionadas para o Circus Next, uma plataforma e um concurso europeu muito importante na área do circo contemporâneo. E nós achamos que não podíamos perder a oportunidade também de as apoiar e resolvemos trazê-las aqui, nesse processo que é difícil, o de montar um espetáculo com pessoas de diferentes nacionalidades, que vivem em países diferentes.

A vossa companhia, a Erva Daninha, é percursora de um trabalho nesta área no nosso país. Nasceu em 2006 e conta com mais de 13 espetáculos para palco, espaço alternativo e espaço público. É ainda uma das estruturas residentes do Teatro Campo Alegre, ao abrigo do Programa Teatro em Campo Aberto. Quais as linhas a seguir pela companhia em projetos futuros? Quais os espetáculos que se seguem? 

Curiosamente, começamos esta semana a ensaiar o novo projeto, ou seja, neste ambiente da Estufa, o que é muito interessante, porque cruzamo-nos todos nos corredores e vamos trocando ideias. Acho que já não via há muito tempo tantos artistas de circo no mesmo edifício e isto enriquece sempre as relações. O próximo projeto que vamos fazer, que é uma coprodução com o Teatro Municipal do Porto, no âmbito de uma bolsa de criação da rede 5 Sentidos que nos foi atribuída. Este é um espetáculo de palco que vai estrear em setembro do próximo ano, com um artista da companhia, o Vasco Gomes, e com o artista Leonardo Ferreira, que fez a sua formação na Escola Superior de Circo, em França e que ainda vive lá. O nosso trabalho é sobretudo contemporâneo, ou seja, o que nós procuramos é não abandonar a técnica e acho que a Mostra Estufa também procura isso, que os nossos projetos de criação como os nossos projetos de programação não abandonem a técnica por completo, mas elevá-la a um patamar de comunicação. O circo pode ser feito de muitas maneiras, o risco e a sensação de risco pode ser transmitida de diversas formas e aqui o que nós procuramos é um conceito. A técnica como veículo de um conceito.


Fotografia © Philippe Deutsch
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