Né Barros

Entrevista

Qui 25 Outubro 2018

sobre "Revoluções"
Né Barros • 53 anos • Coreógrafa


Em novembro estreia no Rivoli o teu espetáculo, a que deste o título de “Revoluções”. Que espetáculo é este que procura levar a cena as diferentes revoluções que confrontam o quotidiano do ser humano?

É um título que concilia algo que me tem interessado trabalhar, nos últimos 12 anos, que é a questão do território, da paisagem humana, dos ciclos de movimentações dos corpos. Tenho encontrado algumas linhas de problemas que me têm interessado explorar. Neste caso, o plural – Revoluções - acaba por desvendar o propósito do trabalho: não quero tratar uma revolução em concreto, mas pensar, do ponto de vista mais abrangente, as revoluções, desmultiplicando as suas possibilidades. Este ano, de resto, comemoram-se os 50 anos do maio de 1968 e este é, de alguma forma, um momento simbólico para pensar a importância das revoluções, o que são e qual a sua relevância. São transformações que se podem dar a diferentes níveis: uma mudança do curso de algo, a suspensão de alguma coisa que estava a acontecer, pode ser uma mudança material ou até algo mais íntimo. No texto de [Herbert] Marcuse, por exemplo, a arte é entendida como objeto de revolução, a revolução surge aqui como experiência. A arte, para ele, não é revolucionária porque segue uma programa ou uma propaganda, mas porque transporta verdades trans-históricas e nesta autonomia com as relações sociais, a arte rompe com consciência dominante e revoluciona a experiência. Encontramo-nos com uma nova possibilidade de compreender as coisas. Interessa-me esta lógica porque vou trabalhar com materiais muito concretos de possíveis revoluções, explorar situações mais íntimas. Uma revolução é, acima de tudo, abrir uma janela sobre qualquer coisa.

São estas revoluções que te surgem em camadas e que se afiguram como uma nova revolução em palco. Algo, de resto, que pauta todo o teu trabalho, que nunca se circunscreve a uma textura e a uma só disciplina.

Interessa-me trabalhar em várias camadas, sem dúvida. Interessa-me trabalhar diferentes linguagens, até no domínio artístico. Nesta caso a música, o vídeo instalação e a dança. Testar as suas possibilidades relacionais ou os seus limites de cruzamentos entre imagem, som e corpos.

Qual o papel que a música tem nestes trabalhos? Temos visto diferentes estádios de evolução do papel da música no teu trabalho...

No início trabalhei muito com música gravada e tinha tendência a recorrer a grandes autores da música minimalista, da música contemporânea e até da música antiga. Depois, passei por uma fase em que quase neguei a música, trabalhando em silêncio. E depois uma nova fase em que sentia muita estranheza em ter uma música que vinha não sabia bem de onde. Sentia esta estranheza latente, o que me levou a optar por ter tudo o que é matéria no espetáculo, ao vivo. Em que a música é um elemento vivo, sempre presente. Neste caso trabalhei com a Digitópia, grupo ligado à Casa da Música, assim como o coletivo artístico Haarvöl, para além dos bailarinos, que também vão produzir música para este espetáculo.

Esse é outro tipo de revolução, como se os papéis fossem invertidos, trocar as voltas ao que esperamos ver em palco: os músicos a tocar, os bailarinos a dançar...

É como criar novas funções para os intérpretes. É algo que faz sentido para mim. São novos desafios que lhes vou dando, novos objetivos que são deixados.

E esses objetivos que deixas aos outros são também extensíveis a ti, já que te desafias a cada novo trabalho. No futuro, já sabes o que queres desenvolver e o que tens programado para 2019 e para os anos seguintes?

Tenho dois grandes projetos pensados para 2019 e 2020 – mas que estão ainda em processo, dos quais ainda não posso falar muito. Vou continuar ainda a fazer um outro trabalho que tenho vindo a desenvolver nos últimos anos, que são os trabalhos a solo e de pequena produção, que relacionam a dança com a arte digital, com um autor com quem tenho vindo a estabelecer relações nesta área, que é o João Martinho Moura. Quero continuar a trabalhar esta questão do cruzamento destas áreas e perceber o potencial que estas duas linguagens cruzadas podem produzir em conjunto.



Entrevista realizada a 16 de maio 2018, no Teatro Rivoli, por José Reis, coordenador de comunicação do TMP
Fotografia © José Caldeira / TMP
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